mardi 27 mai 2008


Pulsão de Vida

Diversos países, cidades, línguas, pessoas, modos de ser. Uma enxurrada de informações me atravessou, e de tal forma, que não quero mais ficar, quero voltar e me embrenhar em outra cidade. Onde tudo é tão imenso, tão intenso, que minha intensidade se transforma, ganha ares de naturalidade, ganha leveza, força!

Em uma mesma avenida... samba, rock, industrial, mpb, jazz, funk. Pobres, ricos, fudidos, escrotos, amados, revoltados, ditadores, lou-tenentes torturadores, militantes do tortura nunca mais, europeus, asiáticos, africanos, latino-americanos, norte americanos, paulistas, cariocas, pernambucanos, capixabas e o cacete a quatro!

Real, palpável, possível!

Inimaginável talvez, mas o vento que sopra de lá vem suavemente me tomando, assim como o desejo de fazer, de tomar, de gritar, de pensar, de falar, de gozar a vida avidamente.

Respiro, tomo fôlego... e desço as escadas... para me jogar no mar de sensações que se aproxima e me envolve.





lundi 19 mai 2008

Tinha suspirado. Sus-pi-ro. Recupera o fôlego. Dentro, é tudo luz desenfreada procurando saída. Sentiu-se trêmula. Fechou os olhos, mais uma vez. A manhã já anunciava quentura à janela. A cama estava à meia luz, o corpo configurava um território novo. Mostrava. Velava descobertas. O que podia fazer, o que queria fazer: suspiros. Comprimia as coxas contra si mesma. Fortemente contra o corpo, mas a favor dele. Invariavelmente, fechava os olhos. Sentia a luz, que teimava e ardia em sair, urgir. Ergueu-se. Sentou ao pé da cama, estava a decidir por permitir-se. Ou re-sonhar suas costuras ardidamente, e, sozinha. Sentia-se bonita, sentia querendo ser e fazer sentir e ser. Vestiu seu melhor vestido. Esperava elogios, seria a sua oportunidade, seu escape pra não deixar escapar. Vestidos levariam encontros com o ar, com o vento, com o calor. Encontros. [...] Deixou o quarto, desceu até a cozinha. O café estava recém pronto, quentinho, cheiroso. Então. A visão. A melhor espelhada em sua íris desde que abrira as pestanas. O suspiro iminente tornou-se silêncio abismado. Pernas brancas tilintavam contra a saia quase tranparente. Um ultraje! Uma delícia ao ar. Lindas, mornas, cheias de constelações. Esvoaçante. Camiseta solta, fresca, deixando os seios à luz do descobrimento encoberto. Eriçados pelo vento. Água na boca, sensação entalada. Era preciso ter calma, era preciso ter paciência. Mais importante: era preciso a imprecisão. O movimento seria incalculado, inexato, impensado, perto do impossível. O possível dentro de roupas claras que dariam luz ao corpo proximamente próximo, colado, quase por dentro do outro. A impossiblidade deu-lhe a certeza. Uma certeza que não saberia descrever, mas aconteceria. Seria claro, um estalo. Explosão!

vendredi 16 mai 2008

lundi 12 mai 2008



Tocava-me. Mesmo que distante, ao centro, tocava-me. Era úmido o gosto dos finos e sedentos lábios. Era doce o cheiro de sua nuca. As mãos pequenas espalmava-me o corpo, mas eram fugidias às partes que ardiam em espera. Reviro os olhos ao lembrar. Rememoro pois não há território de espera futura. Acabou. NÃO! Não o desejo. Não a imensidão do meu corpo. Aperto minhas coxas, mas contra o silêncio. Não há. Vazio, silêncio. Toca-me no infinito, o meu infinito por ti intocado. Penso aos seios, redondos, maduros, frutas novas, doces, frescas. Mas insugados, impalpados. Penso-lhe as coxas, a barriga, a bunda, teu sexo. Cheira tudo à flor, mesmo inodoro ao nariz distanciado. Cheira e beija. Aperta e sufoca. Tocava-me. Toca-me. Tomo-te.

samedi 10 mai 2008