mardi 13 juillet 2010

Olhares.

Na penumbra, baixinho. Entre olhos. Sobrancelha é mara, eu já disse. Pestanas vastas, pretas, calculadas. Olham pra mim, eu confio. Pega de jeito e de surpresa. Abro meu sorriso de canto. Danço para você ver, e vir me pegar. Me puxa, me lança, me conversa, me convence. Ouve com paciência confissões de ebriedade. Tira toda a conversa, joga na parede, me faz esquecer. Beija forte, intenso, inteiro. Língua de maravilhas, mãos certas, firmes. Um músico, claro. Que sabe e-xa-ta-men-te onde e quando tocar. Me impressiona, me respeita. Lança dúvida. Molha, entra, confunde. Ligo, desespero. O que tô fazendo, me fala? Tenho é que falar menos. Sou uma mulher, não? Tu és homem, e sabes. Eu ainda tenho minhas dúvidas, mas prometo me tratar. Estudo análise e não consigo não analisar. O cheiro que fica. Nas narinas, nas coxas, na boca, nos peitos. Como os trata bem! Como dedica. Murmuro, sem palavras. Gemo, sem som. Gozo, sem extenuar. Aguento mais, porque aprendo. Aprendo com novidades. Tremo toda. To-da. Dedos ágeis, força brutal, animal, em mim. Reviro os olhos, ainda sou dançarina? Meu corpo pede, mas aprende a esperar, suportar, ter. Sentir, sabe? Um eterno aprender. Esborrachar, viver. Encarar que é gostoso sentir forte, entende? Eu estou na lida. Ali, corpo nu. Pintas, pinto, branco, ternura. Ainda que no desconhecer. Corpo magro, aninhado, pequeno. Gi-gan-te. Ê moço doce, tu parou um pensamento em mim.

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