lundi 21 décembre 2009


Se te desejo com gosto de uva mordida e escorrendo em meus lábios, da fruta morrerei de vontade e engasgada. Vontade de foder acaba indo pras palavras. Consigo foder com um pau, com dedos, com língua, com boca. Mas com palavras eu não consigo. Essa masturbação eterna não goza jamais. Meus miolos doem de tanto pensarem, sonharem, se perderem em pensamentos. Quero é seu corpo, na cama, quente, inteiro, de verdade e com vontades. Mil vontades, MIL. Mas a carne esposta, o vazio das ancas, o cheiro do pelo, o andar dos dedos, o caminho das bocas... isso tudo é sonho, é mentira, é traição. De mim mesma pra mim mesma. Acreditando em foder, perdi sorriso. E foi-se um lamentar em meio a gritos, suor, visgo, dúvidas. Sombras eternas e muito tormento. Visto isso, dito isso, gozado sem isso, termino a minha participação no livro. O meu ardor guardo. Os meus olhares, te poupo. Eu canso, eu extremo, eu gasto, eu apelo, eu imploro. Mas um dia chega. A punheta tem um fim e não foi o gozo extremado. Larguei de lado. Espero na casa ao lado. Vai ter que bater na porta pra poder me achar.